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Crônicas em Relações Internacionais

O último vice-rei da Índia

A Índia sempre foi um lugar atrativo para os povos vizinhos e grandes potências, seja por sua riqueza natural como pela grande quantidade de minérios. Desde sempre a região foi habitada por muitos grupos religiosos e etnias, além de ser rigidamente estruturada por um sistema de castas. Dentre estes grupos estão as religiões: bramânica, jansenista, budista, siquista, hinduísta e muçulmana.

Desse modo, com a chegada do Império Mongol muçulmano e dos europeus, no século 16, esta história mudou completamente. Foi em 1600 que chegaram os primeiros ingleses da Companhia das Índias Orientais, com a finalidade de comercializar com os indianos, que posteriormente se apropriaram de alguns  territórios. Por conseguinte, os britânicos foram anexando províncias, como Punjab e Déli, até que se autodeclararam como senhores da Índia.

Em 1877, a Rainha Vitória foi proclamada Imperatriz da Índias. A partir desse momento a Índia passou a ser administrada pelos ingleses e pela nobreza aristocrática indiana, composta por  marajás, rajás e princípes, que passaram a admirar o poderio inglês. Destarte, a competência do poder de defesa e da política externa foi designada aos ingleses, desde que eles cuidassem da solução dos assuntos internos.

Divisão religiosa e política

Os muçulmanos, os quais compunham a elite dominante durante o Império mongol, enxergavam os britânicos como uma ameaça. Os hindus aceitaram a dominação inglesa como algo positivo para o desenvolvimento, o que os levou a participarem como funcionários da administração colonial. Esta divisão  acarretou na formação de dois grupos políticos antagônicos, os quais posteriormente acarretariam na formação de dois estados soberanos.

Processo de independência

O processo de independência da Índia se deu no final da década de 40 do século 19, mais precisamente em 1947, após um longo processo de lutas. O movimento de independência abrange uma grande campanha a nível nacional e regional, com intensas agitações e esforços, algumas não violentas, com a finalidade de acabar com o domínio da Companhia Britânica das Índias Orientais.

Mahatma Gandhi foi conhecido como um dos principais líderes que desencadeou este movimento,  ativista indiano, lutou durante as décadas de 1920 a 1940 pelo fim do regime colonial inglês e pela independência da Índia. Gandhi se tornou mundialmente conhecido por ter desenvolvido um método de manifestação não violento conhecido como Satyagraha. A vida de Gandhi encerrou-se tragicamente após ser assassinado por um nacionalista hindu.

Em plena Segunda Guerra Mundial, a ruptura entre o povo indiano e os ingleses chegou ao ápice. No contexto pós-guerra, o colonialismo se tornou inaceitável, por isso o governo britânico resolveu estabelecer uma saída negociada. Assim, foi firmado um período de transição, o qual seria regido pelo último vice-rei da Índia.


Chegada do último vice-rei à Índia

Louis Mountbatten, nascido como príncipe Louis de Battenberg, foi um oficial militar britânico, primo da atual monarca do Reino Unido, Elisabeth II  e tio do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo.  Em detrimento da sua alta capacidade estratégica, foi nomeado como vice-rei da Índia em 1947 e  lhe instituído o dever de solucionar os problemas vivenciados pelo povo indiano, portanto ele foi a autoridade responsável por intermediar o processo de transição de independência da colônia britânica, que então dividiria o território em dois estados independentes: Paquistão e Índia.

O lorde comandou tropas marítimas e trabalhou com as Forças Armadas. Contudo, após ser nomeado governador da ilha de Wight sofre um ataque teorista promovido pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), o qual lhe tirou a vida.

Atualidade 

A Índia hoje é um dos países mais povoados do planeta,. A população é diversificada e dividida em milhares de etnias, religiões e línguas. Ademais, o país ainda trespassa muitos problemas ocasionados por seus colonizadores, sendo um deles a disputa pela região da Caxemira, além de sofrer com elevados níveis de pobreza, analfabetismo, violência de gênero, doenças e desnutrição.






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